Na procura do tempo perdido

O tempo passa com uma velocidade que às vezes é quase cruel. Num piscar de olhos, as semanas escapam, os meses evaporam e, de repente, mais um ano se passou. 
Aquilo que parecia tão distante, como o Natal ou o fim do ano, aproxima-se numa pressa que nos deixa angustiados, ficando com a sensação que não estamos a conseguir a acompanhar os acontecimentos diários.

Há algo assustador nessa sensação de que estamos sempre a correr atrás do tempo. Mal começamos a acostumar-nos com uma estação do ano, ela se despede, deixando-nos apenas com as lembranças. 
O verão, com o calor e as cores vibrantes, deu lugar ao outono sem nos perguntar se estávamos prontos. 
Agora, o Natal está quase à porta, e damo-nos conta de como os momentos vão passando e levando um pouco de nós.

Cada instante que passa é um que não voltará, um que se perde no fluxo constante dos dias, que parecem rápidos demais para que os possamos aproveitar. E, ao mesmo tempo, há uma pressão para aproveitar cada segundo, para "viver o momento", como se tivéssemos a obrigação de transformar cada instante em algo memorável.
Mas a rotina diária,  os afazeres de casa, trabalho,  filhos, contas para pagar, impedem-nos de usufruir o momento, e quando damos por nós,  passaram-se anos e envelhecemos.

Talvez o medo que sentimos diante da passagem rápida do tempo seja, no fundo, o medo de não sermos capazes de deixar uma marca, de não vivermos plenamente.

Viver o momento é abraçar a beleza do presente, aproveitando as pequenas alegrias e os encontros únicos que a vida nos oferece, pois são eles que dão sentido ao nosso caminho.




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